CNAB e CGTB homenageiam o 13 de Maio na Câmara Municipal de Porto Alegre
O Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB) ocupou a Tribuna Popular da Câmara Municipal de Porto Alegre no último dia 24 para registrar o aniversário de 124 anos da lei de abolição da escravatura. Para o diretor do CNAB e da CGTB, Daniel Santos, a luta pela emancipação do negro continua até hoje, mesmo após a lei áurea. "A vida do afrodescendente nunca foi fácil, o preconceito existe e nosso papel é lutar para que qualquer ato discriminatório seja rechaçado".
O vereador Toni Proença (PPL) protocolizou Projeto de Lei do Hino à Negritude, de autoria do presidente do CNAB, prof. Eduardo de Oliveira.
Segundo Daniel, mesmo com a legislação, o estado brasileiro na época não se preocupou em oferecer condições para que os ex-escravos pudessem ser integrados ao mercado de trabalho formal e assalariado. "Muitos setores da elite brasileira continuaram com o preconceito. Prova disso, foi a preferência pela mão-de-obra europeia, que aumentou muito no Brasil após a abolição", argumentou.
A data de 13 de maio, de acordo com Daniel, foi a representação histórica da vitória da luta que Zumbi dos Palmares empenhou. "O Brasil é uma nação construída por negros e demos uma contribuição fantástica na construção cultural e econômica desta nação", acrescentou. Ao resgatar acontecimentos da história do Brasil, as batalhas travadas pelo movimento abolicionista e a luta dos negros, Daniel salientou a importância de registrar datas como essa. "É nosso papel alertar as futuras gerações, resgatar o passado, a fim de que fatos como esses nunca voltem a acontecer", finalizou.
Durante o ato, Daniel leu o artigo "13 de Maio: A Abolição Forjou a Unidade Nacional", escrito por Carlos Lopes, Diretor de Redação da Hora do Povo.
Após a fala do representante do CNAB, diversos vereadores usaram a palavra. O vereador Tarcísio Flecha Negra (PSD), ex-jogador de futebol, resgatou a história de sua vida, referindo-se às dificuldades que encontrou por ser um negro. "Mesmo o negro não estar mais preso a uma corrente na canela, hoje ele é preso a uma corrente invisível, a corrente do preconceito", disse.
Os vereadores Adeli Sell (PT) e Fernanda Melchionna (PSOL) enfatizaram a posição do STF favorável às cotas raciais nas últimas semanas, fruto da mobilização do movimento negro. Para o vereador Valter Nagelstein (PMDB), os brasileiros possuem um desafio de preservar essa ambiência e convivência, e manter o cenário generoso que possui o povo como um todo "este país de tantas etnias, de tantas cores, de tantos povos, foi forjado sob o sangue do povo negro, portanto, é preciso somar nossa voz para trazer o prêmio de gratidão para reconhecer a luta do povo negro para a construção do Brasil".
No final da homenagem, o Diretor Nacional do CNAB Antônio Rosa presenteou o presidente da Câmara Municipal, Mauro Zacher (PDT) com o livro "Quem é Quem na Guerra da Negritude" de Eduardo Oliveira, e também, protocolado o Projeto de Lei do Hino à Negritude.
Prestigiaram a homenagem o secretário Municipal do Trabalho e Emprego, Pompeu de Mattos; a presidente do Sindacs-RS, Josiane Oliveira; a presidente da AAFROSUL, Mãe Glaci; secretário de Juventude da CGTB, Éder Pereira; a diretora da FMG Carolina Alencar; a diretora da UNE Mariara Cruz; representantes da Umespa, Uges e Scpa, os vereadores da Câmara Municipal e lideranças do movimento negro.
Com informações da Câmara Municipal de Porto Alegre