Consea: CGTB defende menos superávit primário e mais investimento na agricultura familiar no combate à seca
"População estaria em melhor condição se o desvio para gastos com juros em 2012 já não tivesse chegado à soma de R$ 46,81 bilhões", disse Bira, presidente da CGTB
O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) realizou sua IV reunião ordinária em Brasília, na quarta-feira (27), e debateu os impactos da seca na segurança alimentar e nutricional no Semiárido. Segundo a Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional, 1.123 municípios se encontram em situação de emergência por causa de seca este ano, atingindo mais de seis milhões de pessoas. Essa estiagem é considerada uma das piores dos últimos 50 anos.
CGTB
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| Bira, presidente da CGTB, participa da reunião da Comissão Permanente 2 do Consea (Segurança Alimentar e Nutricional nas Estratégias de Desenvolvimento) |
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, participou da plenária e disse que "a população está passando menos fome do que passou em anos anteriores", destacou ela, ao apresentar um conjunto de medidas estruturantes tomadas pelo governo para fazer com que as famílias da região sintam menos os efeitos da estiagem.
Essas medidas incluem a construção de cisternas, o reforço da distribuição de água por carro-pipa, a recuperação de poços, o auxílio financeiro emergencial, a antecipação dos pagamentos do Programa Garantia Safra, o apoio à atividade econômica por meio de linha especial de crédito e a venda de milho para alimentação animal a preços subsidiados.
Para o presidente da CGTB e conselheiro do Consea, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), a população não precisaria "passar menos fome do que em anos anteriores" se o desvio para gastos com juros em 2012 já não tivesse chegado à soma de R$ 46,81 bilhões. E para piorar, o governo ainda se propõe a destinar mais US$ 10 bilhões para o FMI, ou seja, aos bancos falidos e irresponsáveis parasitas, como foi anunciado na última reunião do G-20. E pelo andar da carruagem, o PIB para 2012 vai repetir o fiasco de 2011, quando ficou em 2,7%.
"Desse jeito sobra muito pouco para os programas sociais. Esse é o problema central. É preciso que o governo use seu poder de comprar para acelerar o crescimento econômico, baixar os juros, controlar o câmbio, que o BNDES invista nas empresas genuinamente nacionais e que se faça menos superávit primário e se aplique mais na reforma agrária e agricultura familiar", enfatizou Bira, completando que "a situação no semiárido está triste. Precisamos ajudar esse povo sofrido".
Um documento com propostas e recomendações relativas à convivência com o semiárido foi lido pela conselheira do Consea Elza Braga e será entregue à presidenta Dilma Rousseff. Entre as estratégias, o texto propõe a elaboração de uma Política Nacional de Convivência com o Semiárido.
No documento aprovado, os conselheiros afirmam que "embora previsíveis cientificamente, as secas têm sempre encontrado a região semiárida despreparada para enfrentá-las porque as estratégias dirigidas ao semiárido têm sido caracterizadas pela política de combate à seca, ao invés de construir uma convivência com o semiárido".
Também no documento o conselho defende as chamadas ações emergenciais. "Sabemos, no entanto, que medidas emergenciais são urgentemente necessárias para se fazer frente à situação de sofrimento em que se encontram os povos do semiárido".
Na terça-feira (26), Bira participou da reunião da Comissão Permanente 2 do Consea (Segurança Alimentar e Nutricional nas Estratégias de Desenvolvimento). "Essa é uma instância muito importante do Consea que discutiu, entre outras coisas, a necessidade de um crescimento igual ou superior à época do ex-presidente Lula, pois senão a situação de segurança alimentar vai sofrer reveses importantes", falou Bira.