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Com o lema “Não te cales, defenda seus direitos”, 35 mil trabalhadores marcharam em Madri e dezenas de milhares foram às ruas em outras 57 cidades espanholas

Espanhóis ocupam as ruas contra cortes sociais de Rajoy “para salvar os banqueiros da crise”

As duas principais centrais sindicais da Espanha, a Confederação Sindical de Comissões Operárias (CCOO) e a União Geral de Trabalhadores (UGT), realizaram nesta quarta-feira (20) manifestações por todo o país contra os cortes sociais realizados pelo governo de Mariano Rajoy “para salvar os banqueiros da crise”.

Com o lema “Não te cales, defenda seus direitos”, 35 mil trabalhadores marcharam em Madri e dezenas de milhares foram às ruas em outras 57 cidades espanholas para defender o desenvolvimento com justiça social, salário e emprego. Em greve a mais de 24 dias, os mineiros tiveram marcante participação em Oviedo, Ponferrada e León.

Em Barcelona, houve forte presença de operários de empresas que realizaram demissões em massa ou simplesmente fecharam as portas no último período. Na marcha de Zaragoza, que reuniu militantes do PSOE, CHA e Esquerda Unida, os trabalhadores denunciaram a submissão à troika (FMI, BCE e UE) com palavras de ordem como “O governo resgata o banqueiro e rouba o operário”, “Jojoy, escuta, o povo está na luta” e “Mãos ao alto, isto é um... resgate” – palavra com a qual é designado o assalto para socorrer a banca privada.

“Não há dinheiro para a educação, para a saúde nem para os serviços sociais e, de repente, como por mágica, aparecem 100 bilhões de euros para salvar o sistema financeiro que foi arruinado por alguns banqueiros irresponsáveis”, condenou o secretario geral da CCOO, Ignacio Fernández Toxo, que comandou a mobilização em Madri ao lado de Cândido Méndez, da UGT. Toxo frisou que “o resgate é um presente envenenado que acabaremos pagando todos os cidadãos”. Sobre os responsáveis pela crise, questionou: “Quando teremos uma comissão para apurar as responsabilidades políticas, econômicas e, inclusive, penais?”.

Cândido Méndez lembrou que “em vez de ouvir os trabalhadores, o governo de Mariano Rajoy prefere conversar com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com a direita europeia para tentar satisfazer os mercados e instituições financeiras”.

Em Sevilla, os sindicatos defenderam que sair às ruas é a “única arma” para colocar freio “no neoliberalismo da senhora Merkel”.

De acordo com as centrais, depois de quase seis meses no poder, o governo de Jojoy “não para de cortar direitos e pôs em marcha um descarado programa de reformas, com a única obsessão de conter o déficit e acabar com os direitos trabalhistas, sociais e democráticos”. “A crise impulsionou a dívida pública na Espanha e não o contrário”, reagiu a UGT.

As manifestações foram convocadas para quarta-feira por ser o dia anterior à votação pelo Senado das emendas do governo que suprimem direitos. Conforme pronunciamento da CCOO e da UGT, os abusos contidos na “reforma” de Jojoy “são o maior golpe aos direitos trabalhistas”, pois barateiam e facilitam as demissões em massa, reforçam o poder dos empresários e consolidam a precariedade no emprego, “o que só agravará a crise em que a Espanha se vê mergulhada”.

Além disso, alertaram os dirigentes Toxo e Méndez, os drásticos cortes no Orçamento de 2012 aprofundarão o processo recessivo num ano em que o próprio governo admite a desaparição de 650 mil empregos e uma queda de 1,7% no PIB.

O caminho é o oposto desse desastre, sustentaram as centrais sindicais, defendendo a ampliação dos “investimentos públicos” para impulsionar o mercado interno, com empregos de qualidade e respeito aos direitos sociais. Para isso, é preciso taxar as grandes fortunas, “para que quem ganhe mais, pague mais”.

Ao final do dia, os dirigentes das centrais anunciaram que vão convocar um referendo para que a população se pronuncie frente à traição praticada pelo governo.

Fonte: Leonardo Severo/Hora do Povo