Priscila Casale / Hora do Povo 22-06-2017

Volta ao passado: cultivo de café e cana-de-açúcar gera mais da metade de empregos formais em maio

Prefeitura Municipal de Manhuaçu Somente o cultivo de café gerou 25,2 mil empregos

Há quem comemore que a esta altura do campeonato a agropecuária tenha contribuição tão expressiva na formação do PIB (Produto Interno Bruto) e na geração de empregos no Brasil. Com o país seguindo para o terceiro ano consecutivo de recessão, o setor agrário e essencialmente exportador foi o único a dar alguns sinais de crescimento nos primeiros meses de 2017, por fatores meramente sazonais e que nada sinalizam a saída da crise.

O fato de o saldo de geração de empregos em maio ter ficado positivo com 34.253 postos com carteira assinada é só mais um exemplo de que o fim da recessão proclamado por Temer e Meirelles tem zero proximidade com a realidade.

Isto porque a agropecuária respondeu por 90% da geração de empregos com carteira assinada no mês passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregos (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho. Foram 46.049 novos postos no setor agrário enquanto a indústria de transformação contratou apenas 1.433 trabalhadores; o comércio fechou 11.254 vagas; e a construção civil perdeu 4.021 postos. Ou seja: se não fosse a safra recorde de produção agrícola no primeiro trimestre de 2017, o país estaria amargando níveis de desemprego ainda mais perversos que o atual. Somente o cultivo de café gerou 25,2 mil empregos, o cultivo de laranja 11,5 mil e o de cana-de-açúcar 5,6 mil postos de trabalho formais.

Por outro lado, basear o crescimento da economia e a geração de empregos no setor agro, ao invés de “pop”, é regredir, no mínimo, 150 anos. De acordo com o Monitor do PIB-FGV, o PIB cresceu 0,42% no mês de abril de 2017 se comparado a março. Na comparação interanual, contudo, a economia retraiu 1,3% em abril. Nesta base, a agropecuária cresceu 11,5% - o que não foi suficiente para tornar positivo o crescimento geral, dado o peso que o setor tem diante da atividade industrial e do comércio.

Com o consumo das famílias caindo a cada mês por conta do desemprego, inflação e arrocho salarial, a produção e vendas externas de commodities é a aposta para a sustentação do setor. Entretanto, a análise do trimestre móvel terminado em abril (ante trimestre imediatamente anterior) mostra que a exportação de produtos agropecuários tombou espantosos -10,7% no período, confirmando que basear a confiança no bom desempenho do setor é puro blefe.