ARROCHO FISCAL 26-07-2017

Com “ajuste”, investimentos públicos caem a 0,39% do PIB

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Com mais 5,6 bilhões de cortes no Orçamento, contingenciamento total dos gastos públicos atinge R$ 45 bi

Temer e Meirelles resolveram decretar um novo pacote de maldades. Desta vez, conforme anunciado na quinta-feira (20), a decisão foi a de realizar um corte adicional de R$ 5,9 milhões no Orçamento do ano e o aumento do imposto cobrado sobre a gasolina, diesel e etanol. Com o orçamento já estrangulado pela famigerada regra do teto dos gastos que se soma ao corte já em vigor desde março deste ano, o contingenciamento total dos gastos públicos fica em torno de R$ 45 bilhões em 2017.

O corte significa mais um golpe na já combalida prestação de serviços públicos, como educação, saúde e segurança. E joga no chão os investimentos públicos.

Segundo levantamento feito por técnicos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e por Manoel Pires, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, hoje pesquisador associado do Ibre/FGV, a taxa de investimento neste ano poderá ser a pior em 15 anos, quando atingiu apenas 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003. O volume de investimentos subiu para 1,1% do PIB em 2010 e de lá para cá só vem caindo. Em 2015, chegou a 0,7% do PIB. Em 2016, houve um leve aumento para 0,8% do PIB.

Quando se observa o dado acumulado nos 12 meses fechados em maio, o investimento público federal ficou em 0,6% do PIB. No entanto, quando se considera apenas de janeiro a maio deste ano de 2017, os investimentos públicos estão em apenas 0,39% do PIB, comparados a 0,59% no mesmo período de 2015, e 0,69% no mesmo período de 2016. Falar de “recuperação” da economia nesta situação e esperar que a iniciativa privada tome a dianteira dos investimentos sem investimento público é praticamente um delírio.

Para o presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, “a retomada do crescimento deve ser feita pelo investimento, mas o governo está cortando isso”. “Insistiu no corte de gastos em meio à maior recessão da história do país e não se preocupou em criar mecanismos para a retomada do crescimento econômico. Ao contrário. As ações do governo foram todas no sentido de afugentar os investimentos”, afirma o empresário.