Viola Júnior 09-08-2017

O cultivo do café gerou 10,8 mil postos de trabalho no mês de junho

Café

 

Caged: único setor que criou emprego em junho foi o café

Eliminaram empregos com carteira assinada: construção civil (-8.963), serviços (-7.273), comércio (-2.747) e a indústria (-7.887)

A colheita de café foi responsável pelo saldo positivo de geração de empregos no país em junho. Apesar de parecer uma notícia de, no mínimo, 100 anos atrás, os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregos (Caged), do Ministério do Trabalho, divulgados nesta segunda-feira (17) e referentes a junho de 2017.

O saldo positivo de irrisórias 9.821 vagas (decorrente de 1.181.930 admissões e 1.172.109 demissões) no mês passado - resultado comemorado pelo governo Temer como um sinal de que a recessão chegou ao fim - foi puxado quase que exclusivamente pela atividade agropecuária, que gerou 36.827 postos no mês, repetindo um movimento verificado desde o início do ano. A colheita de café, conforme registrou o Ministério, contribui com 10 mil vagas. Em maio, a abertura de vagas no setor agropecuário já havia correspondido a 90% da geração de empregos com carteira assinada.

SETOR AGRÁRIO

O setor agrário e essencialmente exportador foi o único a dar alguns sinais de crescimento nos primeiros meses de 2017, por fatores sazonais e que em nada sinalizam a recuperação econômica, já que o setor produtivo e o comércio, por exemplo, continuam amargando níveis recorde de desemprego. Basear o crescimento da economia e a geração de empregos no setor primário, ao invés de “pop”, conforme a campanha, é retroceder à pré-república.

Apenas o setor agrário e a administração pública (+704 vagas) contrataram mais do que demitiram em junho.

Os setores cujo desenvolvimento de fato define a independência econômica e faz um país crescer, permanecem no limbo da recessão.

INDÚSTRIA

A indústria de transformação, por exemplo, teve saldo (contratações menos demissões) negativo em 7.887 vagas, com demissões concentradas no sudeste e sul do país. A construção civil fechou 8.963 postos de trabalho; o setor de serviços, perdeu 7.273 trabalhadores; e o comércio, 2.747 postos.

DOZE MESES

Nos 12 meses encerrados em junho, o Caged registrou a demissão de 749.060 trabalhadores com carteira assinada, resultado que mais uma vez testemunha contra a tese artificial do Brasil recuperado. Neste caso, a indústria de transformação perdeu 157.315 postos de trabalho; a construção civil, 254.284 trabalhadores com carteira assinada; o comércio, 73.665; e os serviços, 216.214 vagas no mercado formal.

Outro dado do cadastro ressaltado pelo governo e veículos de comunicação, o saldo positivo de geração de 67.358 postos nos primeiros seis meses de 2017, também não fugiu à regra das contratações baseadas no setor agrário. No acumulado do ano, o comércio perdeu nada menos do que 123.238 postos e a construção civil, 33.164; enquanto a agropecuária registrou saldo positivo de 117.013.