Hora do Povo 27-09-2017

Nilson Araújo: tirar 50 bi do BNDES é crime contra a economia nacional

Divulgação UOL

 

“Única fonte de financiamento de longo prazo para a compra de máquinas
e equipamentos é exatamente o BNDES”, afirma o economista

O BNDES confirmou a transferência antecipada para o Tesouro Nacional de mais R$ 50 bilhões referentes a empréstimos tomados pelo banco de fomento entre 2008 a 2014, segundo informou o diretor de finanças do banco, Carlos Thadeu de Freitas, na quinta feira (21).

No final do ano passado, Meirelles, ministro da Fazenda de Temer, exigiu a devolução de R$ 100 bilhões, que foram usados para pagamento de juros aos bancos.

Segundo Freitas, dos R$ 50 bilhões, R$ 33 bilhões serão transferidos ao Tesouro nesta semana e os outros R$ 17 bilhões no mês que vem. O governo quer uma antecipação de R$ 180 bilhões. Quanto aos R$ 130 bilhões restantes, ainda não há definição.

O economista e professor Nilson Araújo de Souza, em entrevista à rádio Independência Brasil denunciou essa iniciativa como “um verdadeiro crime contra a economia nacional”. “A única fonte de financiamento de longo prazo para a compra de máquinas e equipamentos que as empresas brasileiras têm é exatamente o BNDES. Os bancos privados financiam empréstimos de curto prazo. Quem financia o longo prazo é o BNDES”.

Nilson esclarece ainda que as principais fontes de financiamento do banco são o Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) e o Tesouro Nacional e que “se o Tesouro tira o recurso que tinha colocado lá, o BNDES fica com muito pouco recurso para financiar a atividade produtiva”.

Ele lembra que desde sua fundação em 1952 o BNDES funcionou efetivamente como um banco de fomento. O desvirtuamento desse objetivo ocorreu no governo FHC, que, para fazer as privatizações das empresas públicas, passou a financiar multinacionais com recursos do banco. Ou seja, FHC passou a usar dinheiro do BNDES para garantir recursos às multinacionais para que elas comprassem nossas estatais sem desembolsar um tostão com recursos próprios. 

Nos governos de Lula e Dilma, o governo passou a destinar vultosos recursos para a falida política de criação de transnacionais brasileiras. Um exemplo disso é a Odebrecht e a JBS. Agora, o governo Temer parece querer o desmonte final do BNDES, o que significa comprometer a capacidade do país se desenvolver.

Para o professor, “o governo já tinha tomado uma decisão errônea, que é muito ruim para a atividade econômica, que foi o fim da TJLP, transformada em TLP, vinculando-a com taxa Selic, que é taxa de curto prazo” Os empresários não vão investir em máquinas e equipamentos, ou melhor, em investimentos de longo prazo, com uma taxa de juros comandada pela taxa Selic, que é de curto prazo.
“O resultado é comprometer ainda mais a situação da economia que já está ruim e segue estagnada. De um lado o crescimento do produto interno bruto só cresceu 0,1% em julho, e 0,1% é o mesmo que zero. A formação bruta de capital fixo, que é o investimento em capacidade produtiva, caiu no trimestre anterior e seguiu caindo nesse trimestre em menos 4,5%. E o governo, com essas decisões de acabar com a TJLP e de tomar de volta os recursos do BNDES, reduzindo a capacidade de fomento do banco, vai comprometer, não só a capacidade de reação da economia do país na atualidade, como inviabiliza qualquer projeto futuro de desenvolvimento autônomo".

 

 

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